sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Só Nos Resta Viver


Enfim, o tal jornalista cultural abandonou os releases e materiais de divulgação enviados pelas editoras e foi à rua. Havia descoberto uma boa história, envolvendo um escritor independente. O autor em questão já tinha mais de dez livros publicados e vivia como mendigo, morando junto de um grupo, embaixo do principal viaduto da cidade. Lá pelas tantas, o especialista em literatura perguntou.

- E como o senhor se mantém financeiramente? Possui alguma fonte de renda?

- Eu vivo com o que recebo de direitos autorais...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Um Turista Japonês


Fiz esse texto especialmente para um site, que optou por não publicar. Então, como não achei tão ruim, compartilho por aqui. 


Sou como aquele turista japonês que tira foto de tudo, de todos e a qualquer momento. A diferença é que eu não acho graça, nem fico rindo pra qualquer um ou para qualquer coisa. Outra diferença importante é que não uso máquina fotográfica e, sim, papel e caneta. Assim como o maldito oriental, incomodo muita gente. Afinal, as pessoas só querem admirar a paisagem e esperar que o dia termine bem. Pra quê tudo isso? É que tem coisas que não são possíveis descrever. E são exatamente essas que busco. Eu sei que é uma besteira sem tamanho. Mas quando tudo parece novo, é inevitável não tentar registrar.

Às vezes, acordo num sobressalto e escrevo qualquer coisa. E sigo de olhos abertos enquanto o sonho não vem. Noutras, aparece uma frase e perco um compromisso importante. Há, também, casos que não presto atenção no que há em minha volta – família, amigos, trânsito, temperatura, etc – , porque um verso insiste em tomar boa parte do meu cérebro limitado. Os versos sempre tem prioridade. Qualquer verso.

Já peguei gripe, já perdi o ônibus, já fui atropelado e já amei demais por culpa da Literatura. Só que a vida acaba virando um faz de conta desgraçado. E os outros não estão nem aí pro seu autismo. No começo, sinceramente, achava que era um dom. Depois, a "dádiva" se tornou uma abnegação, missão ou questão de sobrevivência. Hoje, percebo que foi e é só uma sina, que ultrapassou o limite da teimosia, do bom senso.

Um cachorro vadio, que eu tirei da rua, lambe diariamente minhas feridas e me leva para a rua, para tomar um pouco de sol ou uma bola de sorvete de flocos. Se não fosse por ele, acho que jamais sairia de casa. Porque o mundo é só um lugar para matar o tempo. O mundo é só um lugar para tropeçar em caminhos mal sinalizados. Tem dias que escrevo coisas honestas, que me tiram um sorriso da cara. Noutros, parece que não valeu a pena tentar. Foi um pecado ter sujado tantas folhas. A Natureza ainda vai me cobrar essa conta. Eu sei disso.

Minha mãe me ensinou a rezar. Mas eu me neguei a pisar na igreja. Eu me neguei a agradecer. Agora, já é um pouco tarde. Minha carcaça acabará perdendo a queda de braço para a Literatura. Parece um pouco trágico dito assim, mas é a ordem natural das coisas. A Literatura sempre vence no final.

É O Que A Casa Oferece


As pessoas estão tão sedentas por cultura que, agora mesmo, no Centro Histórico, vi umas quarenta amontoadas para assistir um grupo de bolivianos com suas flautinhas alucinantes, mandando ver em um playback.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

7 Coisas Que Aprendi com a Literatura - Para o Site Escriba Encapuzado


Um livro publicado em 2013. Outro em edição para esse ano. Alguns (poucos) exemplares vendidos. Diversos textos na web. Versos roubados por terceiros. Versos roubados de terceiros. Mais de vinte foras literários contabilizados (pequenas editoras, cadernos culturais, revistas independentes, eventos ou feiras, sites e blogs da área, etc). Por isso, acho que dá para falar sobre algumas coisas que aprendi com a Literatura.

A oportunidade surgiu graças ao site Escriba Encapuzado, de T.K. Pereira. Aliás, quem gosta de literatura, deve seguir que é muito bacana. No espaço, há diversos relatos de escritores de todo o Brasil. 

Então, aí vai: as 7 coisas que aprendi.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Entrevista Para o Conexão Unisinos

Eu, Rodrigo, Lucas Colombo, Vanessa e Leandro

Jornalismo cultural, literatura e um ótimo bate-papo foi o que rolou na entrevista, ao vivo, que participei, nesse dia 22, no Conexão Unisinos, transmitido pela TV Unisinos (afiliada do Canal Futura). Além de mim, o programa contou os jornalistas Lucas Colombo e Leandro Schallenberger. Nós três estamos no livro Os Melhores Textos do Mínimo Múltiplo (organizado pelo Colombo), do qual publiquei um conto inédito.

Também deu pra falar um pouco do meu romance de estreia, Virose (2013), e do que ainda está por vir nesse ano. A apresentação do Conexão é da Vanessa Ióris e Rodrigo Oliveira. Dá pra conferir a entrevista no Youtube.


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Alimento Para o Ego de Um Escritor Independente


Como bom escritor independente, minha dieta é a base de...


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Uma Certa Esperança


cultivo a arte de falar sozinho
de declamar poemas para meus gatos

é como plantar qualquer coisa
ou rezar

a cada dia
assisto o silêncio crescer

sem saber ao certo
o que ganho com isso