Série Traduzindo a Música Gauchesca - De Chão Batido
Com a série Traduzindo a Música Gauchesca, pretendo destacar algumas palavras, termos e versos de clássicos do cancioneiro Rio Grande do Sul. A fonte de pesquisa para explicá-los são dicionários voltados a esmiuçar essa língua falada no sul do país.
A segunda canção a ter seus termos vertidos para o português mais formal é De Chão Batido, de autoria do João Alberto Pretto, Pedro Neves e Martin Agnoletto. Foi lançada em setembro de 1992, pelo Grupo Renascença, no disco de nome De Chão Batido. Era a primeira faixa do lado A.
A versão mais conhecida da música foi a gravada pelo Os Serranos, em 1999, no disco Os Serranos interpretam sucessos gaúchos.
De Chão Batido
Em xucras bailantas de fundo de campo O fole e o tranco vão acolherados O índio bombeia pro taco da bota E o destino galopa num sonho aporreado Polvadeira levanta entre o sarandeio E é lindo o rodeio de chinas bonitas Quem tem lida dura e a ideia madura Com trago de pura a alma palpita
Atávico surungo de chão batido Xucrismo curtido na tarca do tempo Refaz invernadas de ânsias perdidas E encilha a vida no lombo do vento
Faz parte do mundo do homem campeiro Dançar altaneiro no fim de semana O gaúcho se arrima nos braços da china E cutuca a sina com um trago de cana Basta estar num fandango do nosso Rio Grande Pra ver que se expande esse elo gaúcho Esta pura verdade que não tem idade É a nossa identidade aguentando o repuxo
Atávico surungo de chão batido Xucrismo curtido na tarca do tempo Refaz invernadas de ânsias perdidas E encilha a vida no lombo do vento
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Chão batido = piso de terra, caracterizado pela compactação do solo para torná-lo firme.
Xucro = diz-se do gado não domesticado. Selvagem, bravio. / Diz-se do homem rude, grosseiro, intratável, sem trato social.
Tranco = Trote curto. Marcha habitual, não apressada, do cavalo. Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem.
Acolherado = Unido o animal a outro pela colhera. / Andar uma pessoa acolherada com outra, significa andar uma pessoa sempre junto de outra.
Índio = Homem do campo. Peão de estância. Indivíduo valente, bravo, disposto, destemido, valoroso.
Bombear = Espionar, espreitar, explorar, vigiar, espiar, perscutar, olhar, ver, observar. Examinar, sem ser percebido, o campo inimigo, a fim de lhe conhecer a força, os recursos e as intenções.
Taco = Salto de sapato ou bota.
Aporreado = Cavalo mal domado, indomável, que não se deixa amansar. Aplica-se também ao homem rebelde.
Polvadeira = Poeirada, nuvem de pó, grande quantidade de poeira.
Sarandeio = Saracoteio. Meneio executado em uma dança.
China = Descendente ou mulher de índio, ou pessoa do sexo feminino que apresenta algumas características étnicas das mulheres indígenas. Cabocla, mulher morena. Também é um termo utilizado para mulher de vida fácil.
Atávico = Transmitido ou adquirido de maneira hereditária; hereditário: seu talento era atávico. / Que se refere ao atavismo, ao reaparecimento em alguém das características de um antepassado que permaneceram escondidas por muitas gerações.
Surungo = Arrasta-pé, baile de baixa classe.
Tarca = Pedaço de pau ou de couro no qual se assinala, com pequenos cortes, o número de reses marcadas durante o dia. A tarca também é utilizada para qualquer outro tipo de contagem, de animais ou de objetos.
Invernada = Grande extensão de campo, cercado.
Altaneiro = Arrogante; que expressa altivez e orgulho: sorriso altaneiro.
Arrimar-se = Aproximar-se, achegar-se.
Fandango = Denominação genérica de antigos bailes campestres, constituídos de danças sapateadas, executadas alternadamente com canções populares, com acompanhamento de viola.
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Bibliografia consultada
Dicionário de regionalismos do Rio Grande do Sul - Zeno e Rui Cardoso Nunes
Dicionário da cultura pampeana sul-rio-grandense - Aldyr Garcia Schlee
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