terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pensamiento de caracol - El Príncipe Gustavo Pena


De madrugada, de madrugada

Con el rocío brillando al sol

Amanecí en la carretera

Con pensamiento de caracol


Me acompañaba por esta tierra

Mi humilde casa de cascaron

Siempre en la hoja, mas no me importa

Porque en mi hoja estoy libre

De los problemas de aquellos bichos

Que se disputan con gran pasión

Unos papeles que yo no entiendo

Por eso viven sufriendo


De madrugada, de madrugada

Con el rocío brillando al sol

Amanecí en la carretera

Con pensamiento de caracol


Muy despacito me voy moviendo

Pero sé bien en que dirección

Mi caracola me esta esperando

Caracolito jugando


Yo no me asusto de la tormenta

Tampoco el frío es preocupación

Vivo la vida naturalmente

Y siempre tengo presente


Caracolito, dijo mi vieja

Tené cuidado allá en la estación

Hay unos bichos para los cuales

La construcción y la destrucción

Son iguales


De madrugada, de madrugada

Con el rocío brillando al sol

Amanecí en la carretera

Con pensamiento de caracol

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Alanis em 1995



Foda-se a respiração. Foda-se a entonação. Foda-se as danças coreografadas. É só uma mulher putaça, com sangue nos olhos, cantando o que acredita e cheia de energia num palco. 

Alanis Morissette em 1995. Que troço impressionante!


sábado, 24 de janeiro de 2026

Trecho de Alta Fidelidade, de Nick Hornby

 


Minha genialidade, se puder chamá-la assim, é combinar toda essa carga de medianidade numa estrutura compacta única. Eu diria que há milhões como eu, mas não há, na realidade: muitos caras têm um gosto musical impecável mas não lêem, muitos caras lêem mas são gordos demais, muitos caras são simpáticos ao feminismo mas têm barbas idiotas, muitos caras têm um senso de humor como o Woody Allen mas se parecem com Woody Allen. Muitos caras bebem demais, muitos caras se comportam de modo idiota ao dirigirem um carro, muitos caras se metem em brigas, ou ostentam seu dinheiro, ou tomam drogas. Eu não faço nenhuma destas coisas, sério; se me dou bem com as mulheres não é por causa das virtudes que tenho, mas por causa das sombras que não tenho.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Curso de ator coadjuvante

 

Sua vida é um filme. Você é o personagem principal.  As câmeras mirando você ou não. Isso não é relevante. O que é mostrado não importa. O que interessa é que o filme é sobre você. Todo o resto são coadjuvantes. As guerras, os times de futebol, as mortes, o preço do dólar, o sistema solar. Tudo é sobre você. Tudo compõe o seu filme. Até que um ser sai de dentro de suas entranhas. Parece ficção científica, mas não é. Na arte, tudo é possível. A partir de agora, você não é mais o personagem principal. É brusco desse jeito. Uma mudança grotesca de roteiro. Por mais que você seja um ótimo ou péssimo ator. Não terá jeito. Você será mais um dos coadjuvantes desse novo personagem principal – esse que saiu das suas entranhas. Porque se trata de uma nova história. A você cabe apenas segurar as pontas e seguir a risca esse novo enredo, que você nem sabe direito qual é. 

É para isso que servem os coadjuvantes, não é mesmo?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Trecho de Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami

Quase todos os amigos de Tokai eram casados. Tinham filhos. Tokai visitava a casa deles algumas vezes, mas nunca sentia inveja. As crianças eram graciosas à sua maneira quando pequenas, mas no fim do ensino fundamental ou no ensino médio quase sempre passavam a odiar e insultar os adultos e, como se fosse vingança, causavam sérios problemas, dilacerando sem piedade os nervos e o sistema digestivo dos pais. Por outro lado, os pais só pensavam em matricular os filhos em escolas reconhecidas, estavam sempre irritados por causa das suas notas, acusavam um ao outro, e as brigas conjugais pareciam não cessar. Os filhos, por sua vez, quase não abriam a boca em casa, enfurnavam-se no quarto e não paravam de conversar pela internet com os colegas de escola ou ficavam absortos em estranhos jogos pornográficos. Tokai não desejava de jeito nenhum ter filhos assim. Os amigos eram unânimes em afirmar: “Filhos dão trabalho, mas é bom tê-los”, porém ele não podia confiar nesses clichês, não mesmo. Provavelmente os amigos só queriam que Tokai carregasse o mesmo fardo que eles. Apenas acreditavam, sem fundamentação alguma, que todo mundo tinha a obrigação de passar pelo mesmo calvário que eles.

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Trecho do livro Homens sem Mulheres, de Haruki Murakami (faz parte do conto Órgão Independente).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Anthony Bourdain, sonhos e Miami

 

Iggy Pop e Bourdain

"E acho que tudo se resume a isso. Cheguei até aqui, escrevi um livro, consegui um programa de tv, vivi meus sonhos e conheci meu herói. Dois homens velhos numa praia". 

Anthony Bourdain

Trecho extraído do programa Anthony Bourdain: Parts Unknown (5a temporada, episódio 3 - Miami)  

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Isso é Cidade Baixa

 


Acho que pensaram se tratar de um morador de rua. Mas não era. O homem estava deitado na calçada porque estava morto, na rua Lima e Silva, próximo à avenida Ipiranga. 

Uma mulher curiosa. Quatro guardas municipais. Um rapaz, que esperava para acessar o prédio e fazer seu serviço de mudança. 

- Ele tá sem pulso - disse a senhora. 

- Já acionamos a Brigada e a Samu, mas essa hora é difícil - respondeu um dos guardas. 

 O homem do frete parecia impaciente, escorava um armário sem necessidade, como se o móvel fosse cair do pequeno caminhão parado. 

- Isso é Cidade Baixa, minha senhora - comentou de enxerido. 

Duas quadras a frente, do lado de fora do cartório, na esquina com a avenida Venâncio Aires, um casal de noivos esperava para legalizar sua união. Ele de terno. Ela de vestido. As testemunhas bem trajadas. Todos em volta de uma pequena lanchonete improvisada, nos fundos do estabelecimento.  

- Ó, o pastel da noiva frito na hora! 

E a comemoração foi geral. Os taxistas do ponto aplaudiram. As pessoas que estavam na fila do cartório, que dava a volta na rua, também. Uma ambulância passou pela festa, sirene ligada, cruzando o sinal vermelho. Ninguém deu a mínima.