segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Alanis em 1995
sábado, 24 de janeiro de 2026
Trecho de Alta Fidelidade, de Nick Hornby
Minha genialidade, se puder chamá-la assim, é combinar toda essa carga de medianidade numa estrutura compacta única. Eu diria que há milhões como eu, mas não há, na realidade: muitos caras têm um gosto musical impecável mas não lêem, muitos caras lêem mas são gordos demais, muitos caras são simpáticos ao feminismo mas têm barbas idiotas, muitos caras têm um senso de humor como o Woody Allen mas se parecem com Woody Allen. Muitos caras bebem demais, muitos caras se comportam de modo idiota ao dirigirem um carro, muitos caras se metem em brigas, ou ostentam seu dinheiro, ou tomam drogas. Eu não faço nenhuma destas coisas, sério; se me dou bem com as mulheres não é por causa das virtudes que tenho, mas por causa das sombras que não tenho.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Curso de ator coadjuvante
Sua vida é um filme. Você é o personagem principal. As câmeras mirando você ou não. Isso não é relevante. O que é mostrado não importa. O que interessa é que o filme é sobre você. Todo o resto são coadjuvantes. As guerras, os times de futebol, as mortes, o preço do dólar, o sistema solar. Tudo é sobre você. Tudo compõe o seu filme. Até que um ser sai de dentro de suas entranhas. Parece ficção científica, mas não é. Na arte, tudo é possível. A partir de agora, você não é mais o personagem principal. É brusco desse jeito. Uma mudança grotesca de roteiro. Por mais que você seja um ótimo ou péssimo ator. Não terá jeito. Você será mais um dos coadjuvantes desse novo personagem principal – esse que saiu das suas entranhas. Porque se trata de uma nova história. A você cabe apenas segurar as pontas e seguir a risca esse novo enredo, que você nem sabe direito qual é.
É para isso que servem os coadjuvantes, não é mesmo?
