quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Respondendo a dúvida de uma futura escritora

Ela me contatou nas redes sociais e me questionou.  

"Como tu faz para escrever? Como tu começou? Como tu define o gênero do que pretende escrever? E, por fim, como encontrou uma editora para publicar teus livros?". 

Vamos começar pelo começo. Pra mim, o que funciona primeiro é a raiva, o ódio, a tristeza, ficar impressionado com algo... É o sentimento. Depois, é questão de escrever mesmo. Raramente penso no formato. Se aquele jorro vai ser um conto, uma poesia, um romance ou uma crônica (se é que vai se enquadrar em algo predeterminado). Tenho que resolver a questão com aquilo que preciso escrever, sem pensar em formas, plataformas ou leitores. Quando concluo o primeiro rascunho, busco dar um tempo, pra ver se aquilo presta ou é só uma bobagem. Se acho que funciona, vou trabalhando naquilo até me cansar, me anojar. Daí, é porque tá pronto. Ponto final.  

Aí, é pensar se vale ou não publicar. Quase sempre acho que vale. Papel, geralmente, aceita tudo. 

Com meus livros, a coisa funcionou porque já tinha muito texto em rede social, projeto Poemas nos Ônibus aqui na cidade, participações em diversas coletâneas e revistas literárias etc. Ou seja, eu já vinha testando caminhos e buscando ser lido. Não tinha vergonha, nem tanto medo de ser criticado. Aí, encontrei uma editora em Minas Gerais. Coisa de boca a boca mesmo. Após o primeiro livro, fica tudo mais fácil pra publicar.  

Mas é muito difícil, num primeiro livro, encontrar uma editora. E, além disso, uma editora que banque os custos. Na maioria dos casos, o autor banca sua edição. E isso já frustra grande parte dos novos autores. O glamour se vai logo no começo, porque se gasta um valor considerável do próprio bolso. Outro ponto que afeta a vaidade de quem escreve é que existe uma alta chance do autor iniciante não ter visibilidade, porque existe um meio, um mercado, uma ampla competição por atenção.  

É preciso estar ciente do fracasso.  

Dosar a expectativa e estar convicto quanto o próprio trabalho é o que me alenta, atualmente. Afinal, não existe alguém que balize o meu trabalho. Não tenho a academia, não tenho a imprensa, não tenho o boca a boca. Tenho, apenas, que seguir com minha Literatura nesse contexto. Nessa solidão avassaladora. Falando sozinho, baixinho.  

Enquanto tiver voz, será assim.  

Como disse no começo: pra mim, funciona dessa forma. 

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