Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filmes. Mostrar todas as postagens

sábado, 19 de dezembro de 2020

O Som do Silêncio - Filme



Eu queria saber, todas as manhãs que passou naquele quarto, sentado, você teve algum momento de quietude? Porque você está certo. O mundo continua a girar e pode ser um lugar muito cruel. Mas para mim, esses momentos de quietude, esse lugar, esse é o Reino de Deus. E esse lugar nunca vai abandonar você. 

O Som do Silêncio (2020). 

terça-feira, 18 de abril de 2017

O Tempo do Lobo, Filme de Michael Haneke



Um drama sobre refugiados. Sobre barbárie e esperança. O Tempo do Lobo, filme de 2003, dirigido por Michael Haneke.

Abaixo, a carta que a personagem Ana escreve a seu pai.


Querido papai,

Agora, que encontrei caneta e papel preciso te escrever. Tanta coisa está acontecendo e não há ninguém a quem eu possa falar. Eu não sei se você pode ver, ou ouvir, ou ler isso, ou mesmo se você pode sentir qualquer coisa. Mas quero tanto acreditar que você pode. Meu muito querido papai... É tão difícil colocar isso em palavras quando não há ninguém a quem falar. Parece que estou sufocando. Você poderia perguntar, por que não falo com Benny ou a mãe. Mas eu não posso. Você saberia disso, se estivesse aqui. Tenho de pensar em cada palavra que digo a mamãe, porque senão ela pode ter um colapso. Suas mãos estão sempre tremendo e eu não posso ajudá-la.  Eu não acho que Benny possa entender, como você pode entender, papai. E também tem esse menino. Eu poderia falar com ele. Mas ele age com tanto orgulho e é como se ele não se importasse com nada. Mesmo que eu saiba que não é esse o caso. Deve estar parecendo muito confuso para você. Mas essa é a principal razão porque eu estou escrevendo. Minha esperança é que, por escrito, isso faça sentido. Eu quero contar para você uma coisa, depois outra. De modo que você possa entender a vida que estamos levando. 



quinta-feira, 14 de abril de 2016

Oh! Rebuceteio 30 Anos Depois: Encontrando Letícia


Eu nunca desisti de encontrar Letícia. Para quem não sabe, Letícia é a personagem principal do filme Oh! Rebuceteio, de 1984, dirigido por Cláudio Cunha (1946-2015). Desde que assisti pela primeira vez esse clássico do cinema nacional, no início dos anos 2000, busco informações sobre a bela mulher que interpretou a personagem principal.

Para quem não viu, Oh! Rebuceteio é um clássico da pornochanchada. Muitos títulos da época recebiam essa alcunha (sempre pejorativa) sem serem, de fato, de sexo explícito. Este, não. Pornochanchada é uma nomeação com mérito! Ele é pornô mesmo e tem um apelo ao “pastelão” ou a tal chanchada. Entretanto, é muito mais que isso.

A sinopse é basicamente uma sátira ao teatro brasileiro. O roteiro, assinado por Cláudio Cunha e Mário Vaz Filho, é bem amarrado e abusa dos estereótipos. Tem a jovem ingênua e aspirante a atriz (já citada Letícia); a mãe esperançosa dessa atriz; o diretor verborrágico e experimental; o assistente homossexual; o ator que quer fama a qualquer preço; o produtor executivo que só busca o retorno financeiro. Eles contribuem para que o enredo seja conduzido de uma forma muito debochada, repleta de falas com altas doses de sagacidade e ironia. O que seria um desastre para qualquer história, nessa faz todo sentido. A intenção é gozar (alerta de duplo sentido) da pretensão da classe artística.

As cenas de sexo explícito não são gratuitas. A maioria está atrelada a um happening proposto pelo diretor Nenê (interpretado pelo próprio Cláudio Cunha), que busca uma tal de metapraxis, algo como a espontaneidade dos atores, com o objetivo de que a peça seja bem sucedida em seu conceito. A interpretação e a trilha sonora original, composta por Zé Rodrix e Miguel Paiva, são outros trunfos que merecem a atenção do telespectador. Por isso, não é exagero afirmar que Oh! Rebuceteio está entre os melhores filmes do gênero em todos os tempos, ao lado de Garganta Profunda (1972), O Diabo na Carne de Miss Jones (1973) e Calígula (1979).

A cena mais emblemática foge do cenário palco do teatro, onde transcorre a maioria da trama. Letícia vai a um estúdio para realizar ensaio fotográfico e (tome mais um clichê aí) transa com o fotógrafo. A iluminação, maquiagem, enquadramentos, música (cantada por Zé Rodrix e citando o nome da personagem) e interpretação são memoráveis, de profundidade e beleza raríssimas em qualquer tipo cinematográfico.


Esse é o motivo da minha busca. Saber o que passou na cabeça daquela mulher que, segundo o cartaz, se chama Eleni Bandettini. Entender por que ela topou estrelar Oh! Rebuceteio. Seria ela ingênua e sonhadora como sua personagem? Teria acreditado também em todo aquele discurso presunçoso? São interrogações que não encontro respostas e acabam fortalecendo a relevância do filme, pois transformam Letícia em um objeto real. Alguém que se equilibrou entre a arte e a realidade.

Ela poderia esclarecer tudo. Mas Letícia sumiu. As pesquisas em fóruns, sites de cinema e em Googles da vida não davam certeza de seu nome verdadeiro, quanto mais de seu paradeiro. Sequer se está viva ou morta. No Yahoo Respostas a questão está no ar desde 2007. “Quem sabe me dizer quem foi Eleni Bandettini?”. Ninguém sabe. A possibilidade dela só ter feito um filme, se arrependido e não ter deixado rastro era real.

Até que a encontrei. Não pelo seu nome, óbvio. Não vou contar como se deu. Mas tentei trocar algumas mensagens com ela e não obtive sucesso.

O que posso afirmar é que, atualmente, Eleni Bandettini (que deve ter entre 50 e 55 anos) é artista plástica, empresária do ramo de decoração de interiores e vive em São Paulo capital. É conhecida por um apelido carinhoso e o sobrenome do segundo marido (não imagino que tenha trocado de nome realmente, mas também não duvido). Ela tem um filho de seu primeiro casamento, que criou praticamente sozinha, e uma neta. Hoje, o palco que importa é o da igreja que frequenta, onde dá seus testemunhos a outros fiéis. “Aceitei Jesus aos 38 anos”, diz ela em um vídeo voltado as “femininas” da congregação. Nesse mesmo depoimento, cita o envolvimento do filho com as drogas e a dificuldade para lidar com a situação. Fala que viveu uma "vida de pecado" e compreende os percalços que passou. Porém, de Letícia nenhuma lembrança que valha a pena ser compartilhada com os demais. Letícia ficou no passado.

Letícia só naquele filme. Naquele filme que ficará para sempre.

Foto de janeiro de 2016


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Justified - Série Baseada Em Um Conto de Elmore Leonard


Porque um seriado baseado na obra de Elmore Leonard tem que ter frases excepcionais.



As imagens são de um episódio da sexta temporada (a última) de Justfied, que é inspirada no conto Fire In The Hole, do grande livro Quando As Mulheres Saem Pra Dançar (Editora Rocco, 2005).

Aliás, Elmore Leonard, falecido em 2013, é fonte de inspiração recorrente em Hollywood. Muitos filmes, com sucesso de público e crítica, são baseados em suas histórias.

Nesse link (http://www.saraivaconteudo.com.br/Materias/Post/53660), há dez exemplos.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Essência da Arte em Vivian Maier



Uma mulher que não foi amada. Uma mulher que trabalhou a vida toda de babá e empregada doméstica. Uma mulher de diversas famílias. Uma mulher de um metro e oitenta de altura que vivia em sótãos e porões, rodeada de jornais velhos. Uma mulher excêntrica e acumuladora de bugigangas. Uma mulher que registrava a alma dos outros. Uma mulher que vasculhava lugares esquisitos atrás de pessoas normais. Uma mulher que não via motivo em se expor.

Uma fotógrafa. Acima de tudo. Essa foi Vivian Maier, americana que viveu 83 anos sem reconhecimento algum de sua arte. Suas fotografias urbanas só ganharam visibilidade após sua morte, em abril de 2009, pelas mãos de um jovem que comprou os negativos em um leilão de garagem, sem saber direito do que se tratavam. Atualmente, há exposições dela em diversos países.

Vivian Maier foi um mistério. Ela se dizia francesa, mas, na verdade, nasceu em Nova York e forjava um sotaque, pois residiu um tempo na França, onde tem parentes até hoje. Passou pela vida de muitas pessoas, por trabalhar como babá e empregada doméstica. Entretanto, não contava a ninguém sua história. Isso tudo nos mostra o belo documentário “A fotografia oculta de Vivian Maier”, de 2013, dirigido por John Maloof e Charlie Siskel.

Quando as perguntas pessoais surgiam, ela desconversava. No dia-a-dia, inventava nomes falsos a desconhecidos no mercado, na banca de jornal, nos passeios com as crianças. Dizia que se chamava “Senhora Smith”. Vivian, tão logo iniciava o trabalho em uma casa, pedia que seu quarto tivesse trancas reforçadas. Não gostava que ninguém invadisse seu espaço.

Além das já citadas bugigangas, rolos de filmes e jornais velhos, Vivian acumulava muito silêncio. Um silêncio de 150 mil fotos, feitas em uma Rolleiflex. Cenas cotidianas de Chicago, Nova York e Los Angeles, principalmente, dos anos 50 e 60. A maioria das imagens nem sequer havia sido revelada. Ela também viajou, por oito meses, com sua câmera para Tailândia, China, Egito, Itália e Brasil.

Seu final foi trágico. Acabou sozinha, velha e louca – vizinhos relatam que comia restos do lixo, mesmo tendo o que comer – em um apartamento alugado por homens que foram cuidados por ela quando crianças.

O que apaixona em Vivian é que ela foi artista mesmo sem “viver” de arte, mesmo sem ter compromissos com o mercado artístico. Vivian não concebia Arte como uma profissão, como algo que se possa preencher ou destacar em uma carteira de trabalho. Sua profissão era babá e empregada doméstica. Sua sina, sua missão, era ser fotógrafa. Vivian tinha a essência do fazer dos grandes artistas: o compromisso com a sua verdade.

Por que nunca mostrou seu trabalho artístico? Por que não buscou o reconhecimento merecido? Por que deixou, de forma organizada, todos os rolos de filmes da sua máquina para a posteridade? São perguntas que ecoam tão logo se conhece a história de Vivian Maier. Mas não há respostas para nenhuma delas.

--------------------------------

Você pode ver algumas imagens no site da artista: http://www.vivianmaier.com/

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Lições de Literatura e Cinema: Assista Dentro da Casa

O cinema francês – assim como o argentino – tem me surpreendido pela qualidade do seu roteiro. Para mim, isso é o que mais importa na sétima arte, saber contar uma história. Não há excessos, efeitos exagerados, edições mirabolantes ou arroubos tecnológicos. É “só” uma boa história, que te deixa com aquela sensação de assistir algo que pareceu fácil de fazer e que, mesmo assim, te deixa boquiaberto pela complexidade, pelo modo que foi descrita.

Alguns exemplos recentes, sem pensar muito ou pesquisar profundamente, foram os filmes Irreversível, O Escafandro e a Borboleta, Caché, Amor, Elles, O Capital, Os Intocáveis e Ferrugem e Osso. Mas teve um que me cativou mais que os citados: Dentro da Casa, lançado em 2013, com direção e roteiro de François Ozon, baseado na peça El Chico de la Última Fila, do espanhol Juan Mayorga. O apego se deu porque o tema central é a literatura. O filme fala sobre um estudante com grande potencial para a escrita e um professor, de francês logicamente, que busca estimulá-lo.

Breve Sinopse – Para escrever uma redação, o estudante Claude (Ernst Umhauer) se aproxima de um colega, Rapha (Bastien Ughetto), com a intenção de invadir sua vida, inserir-se em sua família – inclusive se apaixonando por sua mãe, a entediada Esther (Emmanuelle Seigner) –, para assim transcrever a rotina daquela família classe-média. O jovem acaba desenvolvendo uma novela – realista? – que atrai a atenção do exigente professor, Germain (Fabrice Luchini), que também é inserido no contexto – e, por consequência, já que tudo é literatura –, na trama que vai sendo escrita e – aparentemente – manipulada por Claude.

Outro ponto alto de Dentro da Casa são as citações e referências artísticas – tão naturais, sem aquele forçoso tom didático – que vão de nomes como Paul Klee, Flaubert, Pasolini, Kafka, Dostoievski, até conceitos de arte contemporânea.

O resultado é que todos – incluindo o espectador – acabam ficando presos aos próximos capítulos que o estudante vai engendrando. Só resta, então, aguardar o último ato, que acaba se tornando inevitável. Isso, meus amigos, é saber construir um bom roteiro. Uma lição não só de cinema, mas também de literatura.


terça-feira, 24 de junho de 2014

Documentário - Dossiê 50: Comício a Favor dos Náufragos

A Copa do Mundo de 50 já foi. O fantasma foi sepultado com cinco títulos mundiais pelos "escretes canarinhos". Mas por aqui, é diferente, não laureamos os vencedores, pois a felicidade soa pedante, como diz o poeta.

Então, vamos e retornamos sempre aos derrotados, aos fracassos, aos esquecidos...

Estes, sim, os heróis, personagens principais, nesse mundo repleto de Café Preto e Solidão. Por isso, em época de Copa do Mundo, sugiro um belo documentário sobre nossa dor maior.

Um salve ao jornalista Geneton Moraes Neto e sua equipe, que produziram e montaram essa grande história, narrada por Pereio e com participação de diversos grandes atores, como Chico Diaz e Milton Gonçalves.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Que Poderia Ter Sido e Outros Documentários


Onde a Terra Acaba - 2001

Documentário, escrito e dirigido por  Sérgio Machado, conta a história de Mário Peixoto. Cineasta de um filme só, Limite de 1931, que está incluído no Livro 1001 Filmes que Você Precisa Ver Antes de Morrer. Onde a Terra Acaba é uma seleção de depoimentos do próprio artista, amigos e admiradores. Tudo costurado com cartas e trechos do diário de Peixoto, narradas por Matheus Nachtergaele.

É uma viagem poética . Uma fábula sobre o tempo onde o que importa é o que poderia ter sido. Comovente.

Outros documentários que fizeram minha cabeça, recentemente

- Mataram Meu Irmão - Dica do amigo Vinicius Porto de Avila. Uma porrada.
- Arquitetos do Poder - Sobre os marqueteiros políticos.
- O Demônio e Daniel Johnston - Insano demais. Triste demais.
- Crumb - Um gênio às voltas da loucura.
- Meu Tempo é Hoje - Uma comunhão com o tempo.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Século XXI Deu Razão a Roberto Piva


Visão de São Paulo à Noite

Na esquina da rua São Luís uma procissão de mil pessoas
          acende velas no meu crânio
há místicos falando bobagens ao coração das viúvas
e um silêncio de estrela partindo em vagão de luxo
fogo azul de gim e tapete colorindo a noite, amantes
          chupando-se como raízes

Maldoror em taças de maré alta
na rua São Luís o meu coração mastiga um trecho da minha vida
a cidade com chaminés crescendo, anjos engraxates com sua gíria
          feroz na plena alegria das praças, meninas esfarrapadas
          definitivamente fantásticas
há uma floresta de cobras verdes nos olhos do meu amigo
a lua não se apóia em nada
eu não me apóio em nada

sou ponte de granito sobre rodas de garagens subalternas
teorias simples fervem minha mente enlouquecida
há bancos verdes aplicados no corpo das praças
há um sino que não toca
há anjos de Rilke dando o cu nos mictórios
reino-vertigem glorificado
espectros vibrando espasmos

beijos ecoando numa abóbada de reflexos
torneiras tossindo, locomotivas uivando, adolescentes roucos
         enlouquecidos na primeira infância
os malandros jogam ioiô na porta do Abismo
eu vejo Brama sentado em flor de lótus
Cristo roubando a caixa dos milagres
Chet Baker ganindo na vitrola

eu sinto o choque de todos os fios saindo pelas portas
         partidas do meu cérebro
eu vejo putos putas patacos torres chumbo chapas chopes
         vitrinas homens mulheres pederastas e crianças cruzam-se e
         abrem-se em mim como lua gás rua árvores lua medrosos repuxos
         colisão na ponte cego dormindo na vitrina do horror
disparo-me como uma tômbola
a cabeça afundando-me na garganta

chove sobre mim a minha vida inteira, sufoco ardo flutuo-me
nas tripas, meu amor, eu carrego teu grito como um tesouro afundado
quisera derramar sobre ti todo meu epiciclo de centopéias libertas
ânsia fúria de janelas olhos bocas abertas, torvelins de vergonha,
         correrias de maconha em piqueniques flutuantes
vespas passeando em voltas das minhas ânsias
meninos abandonados nus nas esquinas
angélicos vagabundos gritando entre as lojas e os templos
         entre a solidão e o sangue, entre as colisões, o parto
         e o Estrondo

Roberto Piva
Poema faz parte do livro Paranoia, de 1963
_____________________________

"Só acredito em poetas experimentais que tem vidas experimentais". Piva certamente foi coerente com sua frase mais conhecida, pois experimentou e viveu intensamente sua arte. Seus poemas tem um ritmo intenso. Vivem, e ganham sentido, na oralidade das ruas de São Paulo. Seus versos são crus. Sem floreios baratos ou excessos parnasianos. Fatores que só reforçam a beleza desesperada e melancólica de toda a sua obra. Em um breve ensaio/poema, Piva afirmava que o século XXI daria razão a ele.

Estava, absolutamente certo. Falar em poesia contemporânea e não citar o autor, é equivalente a uma blasfêmia. Mais sobre Piva, no documentário Assombração Urbana: http://www.youtube.com/watch?v=oVMzzYIOaNg

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Tiranossauro - Um Filme Que Você Tem Que Ver


Tiranossauro, de 2011. Dê um jeito de assistir esse filmaço. Eu encontrei totalmente sem querer (na verdade, o título me chamou a atenção), no canal Max, que tem em algumas TVs por assinatura. É possível que tenha por aí também, em locadoras, internet... De qualquer forma, vá atrás!

A história fica em torno de Joseph (Peter Mullan), um beberrão violento, e Hannah (Olivia Colman), uma católica fervorosa dona de uma lojinha de subúrbio. O trunfo de Tiranossauro é o roteiro, redondo, sem exageros e repleto de personagens ricos, alguns deles, em sua aparente pobreza. Os diálogos e os silêncios são de um poder avassalador. A história, que se passa na Inglaterra, é uma magnífica crônica sobre solidão, egoísmo e como os homens podem ser bestiais e amorosos, muitas vezes, ao mesmo tempo. O destaque fica para a carta escrita e lida por Joseph, no final do filme.

Tiranossauro ganhou diversos prêmios mundo a fora, inclusive no Brasil. Mas, segundo o diretor, Paddy Considine, isso não foi o suficiente, pois o filme não teve sucesso de público em lugar nenhum, nem mesmo em seu próprio país (Inglaterra).

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Velho Buk

"Se for tentar, vá até o fim
Não há outro sentimento como esse
Ficará sozinho com os Deuses
E as noites serão quentes
Levará a vida com um sorriso perfeito

É a única luta que vale a pena"

Charles Bukowski



Cena final do filme Factotum - Sem Destino, de 2005.

sábado, 20 de julho de 2013

Por Volta da Meia Noite



Não sei quando comecei a gostar de jazz. Pode ter sido no mesmo momento que comecei a gostar de uísque. Não sei... A verdade é que mesmo gostando do som, não entendo porra nenhuma de jazz. Não sou como o meu xará e amigo, Lucas Colombo, que sabe tudo de datas, notas, dramas, tramas e prazeres dos homens e mulheres que construíram o estilo. O cara é um especialista. Sugiro até a leitura de um artigo dele sobre Chet Baker.

Eu só sinto a música. Eu paro tudo quando ouço um jazz. No máximo, rabisco algumas bobagens. Às vezes, fico com o gato branco em meu colo. Noutras, tomo umazinhas. E só. Deixo o som ir percorrendo, meu corpo, a sala, meus pensamentos tolos... Dia desses, deu na TV a cabo: Por volta da meia noite, de 1986. A trama conta com um saxofonista negro, alcoólatra, velho e nitidamente cansado de lutar contra suas sombras, e um fã branco cheio de esperanças no cara. A maior parte da história, quase toda, se passa em Paris. “Sabe, sua música mudou minha vida”, diz o fã, em um dos momentos mais marcantes. Se puder, veja.

Depois fui ler um pouco sobre e descobri que era tudo tocado mesmo. O tal saxofonista é Dexter Gordon, músico reconhecido (e até concorreu ao Oscar pelo filme!). E o ator francês parece que é consagrado por lá. Recentemente foi protagonista em Os Intocáveis (2011). Mas o melhor é, obviamente, a trilha sonora, composta por Herbie Hancock, que também atua na película como pianista.

Trailer aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nRFTIXDV3zM