quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Crítica Um Silêncio Avassalador - Site Ponto Para Ler


O site Ponto Para Ler, capitaneado pelo Paulo Souza, publicou uma crítica do meu livro mais recente, Um Silêncio Avassalador.

"(...) posso assegurar que foi uma das melhores leituras que fiz este ano e, dentro do universo de livros de contos, o melhor que li no ano".

No link, o texto completo.

http://www.pontoparaler.com.br/critica-de-livro-um-silencio-avassalador/

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A Lição Que O Gato Me Deu


Não é preciso livros de auto-ajuda pra entender. É só olhar a volta.

No meu caso, foi assim. O gato vira-lata lá de casa está com 17 anos e meio. Hoje de manhã, o bichano lutou um bocado pra viver. Trançou as patas. Se mijou. Bateu de cara nos móveis. Andou sem saber onde ia. Tentou pular na cama. Urrou de dor.

Ele quer viver. Talvez, não tenha mais condições. O veterinário não sabe o que será. Mas ele quer viver. Ficar no seu lugar. Com seus humanos.

Não é uma grande coisa a se desejar. Porém, isso não está em questão. O que fica é a força que ele faz pra continuar. E sem compreender o motivo. Porque é provável que não pense nisso.

Essa foi a lição que o gato velho me deu hoje.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Revendedor Autorizado


- Que tem nessa sacola, Lucas?
- Meus livros. 
- Teus livros?!
- Sim, saio por aí vendendo meus livros.
- Hum... Achei que tu vendia Avon. 
- Quer um livro?
- Não, obrigado. Queria um creme da Avon.

sábado, 27 de agosto de 2016

A Vida Num Cruzamento Urbano e Uma Cena Engraçada em Londres


Abriu o sinal e o carro não arrancou, porque o motorista estava mexendo no celular. O condutor atrás dele não percebeu isso, porque também estava no celular. Assim foi com o motorista do ônibus e os 43 passageiros da linha. Com os pedestres nas calçadas, a mesma coisa.

Eu gostaria que vocês vissem. Há dias, eles seguem assim.

------------------------------------------------------------------------

Teve uma cena engraçada em Londres.

Estávamos no metrô. Duas brasileiras conversavam. Certo que não havia lusófonos a sua volta, uma delas desencadeou uma série de relatos sexuais. Uma crônica picante de sua rotina amorosa. Descrevia seu amante em detalhes. O homem me pareceu um reprodutor nato. E que homem! "Você tinha que ver as mãos dele me pegando", ela disse. Contava o quanto era feliz com ele. E o quanto não era com seu marido.

Quando se aproximava da minha estação de desembarque empostei a voz à minha mulher.

- Na próxima, é a nossa parada.

Elas gelaram. Naqueles breves minutos, entre as estações, não se ouviu mais nada em português no vagão.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um Silêncio Avassalador - À Venda


Um Silêncio Avassalador, meu novo livro de contos, já está à venda no site da Editora Moinhos. Só R$ 30. Qualquer dúvida, me contatem (Facebook ou email).


SOBRE O LIVRO

Os contos de Lucas Barroso mimetizam os sons de um universo assustadoramente semelhante ao nosso, que pulsa ininterrupto do lado de fora destas páginas, e onde a felicidade não passa de uma farsa, uma autoinvenção, que nos assombra justamente por sabermos de sua impossibilidade.

Nascer, crescer, morrer, degenerar. A vida como um processo de espera onde pessoas são meras engrenagens em que executam funções nessa dantesca linha de montagem que é a existência, pedaços de “carne argilosa, incrustada de ossos, fiações, buscando algo que nos faça ignorar os sentidos que criamos”. Lacunas ruindo, subjugadas por pressões com as quais não sabem lidar. Convenções sociais cruéis, o doloroso jogo das expectativas impostas subjetivamente, da idealização versus realidade.

Diante da impotência perante a vida, os vícios, seja o sexo, o álcool, a cocaína ou mesmo o que convencionamos chamar de amor, são apenas formas de silenciar a solidão, de abafar esse som ensurdecedor que o nada produz. Por isso, os personagens de Um silêncio avassalador, que somos nós, carregam sempre um vazio que buscam preencher desesperadamente, um vazio que reverbera esse silêncio avassalador em nosso íntimo, mas que nunca somos capazes de externar, pois há sempre um nó na garganta no meio do caminho.

Trecho da orelha escrita por André Timm

Mais informações no site - http://editoramoinhos.com.br/loja/um-silencio-avassalador/

sábado, 20 de agosto de 2016

Eu Falei que Vivo de Literatura


Eu falei que vivo de Literatura.

Ele retrucou, dizendo que sou jornalista, que meu salário é que paga minha casa, me dá comida e bota gasolina em meu carro.

Eu falei, de novo, que vivo de Literatura.

Ele retrucou, outra vez, dizendo que eu bato ponto e que tenho compromisso de 40 horas semanais. Pediu, com graça, que se eu tivesse dúvida, olhasse minha carteira de trabalho e confirmasse o que ele dizia.

Eu insisti que vivo de Literatura.

Ele fincou pé, dizendo que ninguém sabe quem eu sou. Não há retratos meus em jornais. Também não há nada que comprove minha existência em livrarias.

Eu falei o que ele já sabia. E acrescentei: suas dúvidas bestas sobre minha pessoa serviriam de Literatura.

Porque eu vivo, sim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A Mulher Tinha Ido Embora Há Três Semanas


Não vi conhaque de alcatrão no bar. Mesmo assim, questionei o atendente. Ele foi direto.
- Teu compromisso é com a escrita.

Na rua, dois policiais me abordaram e mandaram encostar na parede. Um deles me revistou, depois pediu meus documentos e disse.
- Teu compromisso é com a escrita.

Na outra quadra, um ladrão calçou seu trinta e oito em minha costelas. Pegou minha carteira, meu relógio – herança de meu avô – e complementou.
- Teu compromisso é com a escrita.

Da sacada de seu apartamento, uma senhora viu o assalto e berrou – todos abriram suas janelas e ligaram as luzes.
- Teu compromisso é com a escrita.

Sem dinheiro, pedi ao motorista do ônibus se poderia me dar uma carona. Ele fez sinal de positivo, falou da violência da cidade e acrescentou.
- Teu compromisso é com a escrita.

Em casa, não tinha bebida alguma. Também não havia ração para os gatos, que miavam sem cessar. A mulher tinha ido embora há três semanas. E a vizinha deixou um bilhete embaixo da porta.