quarta-feira, 7 de maio de 2014

O Que Poderia Ter Sido e Outros Documentários


Onde a Terra Acaba - 2001

Documentário, escrito e dirigido por  Sérgio Machado, conta a história de Mário Peixoto. Cineasta de um filme só, Limite de 1931, que está incluído no Livro 1001 Filmes que Você Precisa Ver Antes de Morrer. Onde a Terra Acaba é uma seleção de depoimentos do próprio artista, amigos e admiradores. Tudo costurado com cartas e trechos do diário de Peixoto, narradas por Matheus Nachtergaele.

É uma viagem poética . Uma fábula sobre o tempo onde o que importa é o que poderia ter sido. Comovente.

Outros documentários que fizeram minha cabeça, recentemente

- Mataram Meu Irmão - Dica do amigo Vinicius Porto de Avila. Uma porrada.
- Arquitetos do Poder - Sobre os marqueteiros políticos.
- O Demônio e Daniel Johnston - Insano demais. Triste demais.
- Crumb - Um gênio às voltas da loucura.
- Meu Tempo é Hoje - Uma comunhão com o tempo.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Oficina Literária

- Você é de Porto Alegre?

- Aham.

- E você fez a oficina do Assis Brasil?

- Não. Minha Literatura tá mais pros puteiros da avenida Assis Brasil...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Diálogo do Poeta com sua Esposa - Poema de O Ano dos Mortos


Diálogo do Poeta com sua Esposa

Lucas Barroso

- Sopa de novo?
- Não temos dinheiro, você sabe disso.
- Pois é...
- E os versos, conseguiu vender algum?
- Não.
- Acho que seria melhor nós vendermos a casa.
- E vamos morar onde?
- Nos seus poemas, ora.

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Foto: Thalles Campos.

O poema fará parte do meu segundo livro, O Ano dos Mortos, editora Bartlebee Livros. O lançamento deverá acontecer até a metade do ano.

Minha estreia, acesse aqui.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A Toque de Caixa

Todo mundo quer uma esposa, marido, filhos... uma família. Mas só por meio turno. E, ainda por cima, esse turno sem lista de supermercado, sem primo distante, sem dinheiro emprestado para a sogra. Só que a vida, obviamente, não é assim. Nunca vai ser assim. E tudo tende a piorar. Não se trata de pessimismo e, sim, de estatística – alguém, possivelmente um cético, diria realismo, mas realismo não existe. São fatores recorrentes, que variam pouco de casal para casal. São variáveis que aparecem e se alojam com o tempo. Como a umidade, como a ferrugem, como a maresia.

A única solução e, ao mesmo tempo a pior delas, é o isolamento. Não há outra alternativa, pois os amigos, aqueles que você escolheu ou os que escolheram você, já vivem no mundo de responsabilidade e guardas compartilhadas. Já estão em uma união estável com divisão igualitária de bens, com o nome completo de seus cônjuges divulgados no imposto de renda.

O chá esfriou sob o abajur imundo. Sobre a mesa alguns rascunhos, cópias de documentos, contas vencidas. Os livros, se enfileirados, resultariam em 10 quilômetros de extensão. Um belo caminho. Entretanto, um belo caminho sem respostas. Todos os autores lhe confundiram. E agora você aguarda as resoluções do tempo. Mirando aqueles títulos, sem recordar as tramas, personagens, cheiros. As previsões para o futuro – a casa distante da capital, a fuga dos imbecis que tem a solução para tudo, algo próximo a uma besta comunhão com a natureza – adormecem na gaveta debaixo da escrivaninha, junto com o álbum de fotografias, o diploma e o walkman.

O que você fez da porra da sua vida?

(sem edição, sem releitura, daquele jeito...)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Impávido Colosso

- No fundo, você é uma representação do que os outros creem que você é. Não sei quem disse isso. Talvez, tenha sido eu mesmo. Sabe, já escrevi coisas que juravam que eram minhas, porém, quando realizava uma pesquisa aprofundada, descobria que minha ideia já tinha autoria. Em outros casos, não encontrava dono. Então, ficava aliviado e, ao mesmo tempo, extasiado. Assumia a criação. Era uma alegria completa, sentir-se original. Como eu poderia ter feito tal façanha? Que pensamento, que sentença, que história única foi aquela, meu Deus?! Era inacreditável como ninguém, entre oito bilhões de pessoas que existem no mundo, havia pensado naquilo. E logo eu, um homem perdido ao Sul do Brasil, tive o tal lampejo, a tal capacidade inventiva. Se eu sou um incompreendido? Lógico que sou. Um injustiçado? Sim, com certeza. Você vê meu nome por aí? Conhece alguém que me admira? Ou, então, alguém que me admira e eu desconheça? Porque artista de verdade é admirado por muitos. E, sendo assim, não há como conhecer todos os fãs. Já comigo é desse jeito: os que aprovam o que faço cabem numa mão. E sendo tão poucos, conheço-os. Não só pelo nome, mas sei que time torcem, prato predileto, filme mais marcante, livro de cabeceira... Contudo, desconfio que a maioria, desses raros, apenas diz que gosta do que produzo porque, no fundo, me veem mais como um amigo, uma pessoa boa, e tem pena da minha condição, das minhas limitações. Botam fé que sou um coitado e precisa de ajuda. É o que sinto, sabe.

Se eu achava que seria tão difícil? Eu não tinha noção do fardo. Se soubesse, não teria sequer iniciado. Em alguns casos, meu amigo, é melhor desistir, do que abrir um caminho que não te levará a lugar algum. 

Se é o que eu penso? Lógico que é. Então, por que sigo essa ilusão? É uma boa pergunta. Não sei se você percebeu, mas não falei em fracasso uma vez sequer. Como também não citei a palavra esperança. Mesmo estando implícita em meu discurso. Pois, vai ver que meu destino, ou sina, é me equilibrar nesse dilema. O fato é que cada vez que os ponteiros seguem um segundo para frente, nossas vidas andam o mesmo tempo para trás. É a única verdade que conheço. Mas acredito que tenho tempo ainda. E isso, talvez, seja o mais próximo que alcanço do que chamam de fé. Por que eu não desisti de fato? Ora, eu já desisti! Ou não deixei outras tantas coisas mais relevantes para trás? Tive a coragem de assumir o risco e o que eu fiz jamais se apagará, mesmo sendo um retumbante erro, ou uma coisa absolutamente indiferente, perante os outros. Você sequer imagina, em minutos, horas, dias, quanto tempo dediquei a escrever. E em mim, serei sempre o criador, pois vejo versos em tudo. Acordo durante com histórias me despertando. Ando com papeis nos bolsos das calças. Escrevo na palma da mão. Tanto faz se será publico ou anônimo. Se tiver admiradores ou não. Viverei o que me resta com essa chaga.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

O Fim da Ideologia

Eu era jovem e bobo. Tinha minhas convicções e ideais para um mundo melhor. Até o dia que virei um homem e entreguei todas as minhas ideologias pra Caixa Econômica Federal.

Bastou assinar aquele maldito documento de financiamento e minha ideologia, agora, é pagar a hipoteca de meu apartamento todo o mês, por 35 anos a fio...