segunda-feira, 7 de março de 2022
E a vida vai...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
Conversa Com o Relojoeiro
| Texto publicado no jornal Diário de Canoas, no dia 15 de fevereiro |
Se eu não tivesse me aposentado da escrita – cedo para uns, em tempo para maioria – escreveria que, dia desses, fui no relojoeiro. Porque eles ainda existem. Porque eles ainda resistem, na verdade. Estão perdidos em subsolos e em edifícios comerciais no Centro Histórico de Porto Alegre. Vasculhando bem, é possível encontrá-los.
Sei fazer pequenos ajustes e arrumações em meus relógios. Contudo, vez por outra, tenho que ir no relojoeiro. Porque eles são interessantes. Porque eles são pessoas antigas, que conversam e interagem com seres de carne e osso – e aço, borracha, couro, vidro... afinal, relógios também são seres fascinantes.
Obviamente, como bons entusiastas das máquinas do passado, o profissional das horas e eu criticávamos o mundo moderno. Enfileirávamos ranzinzices contra o novo. Foi então que o relojoeiro puxou uma gaveta. Ela estava abarrotada de modelos smartwatch. Deviam ter mais de trinta deles esparramados.
- Olha só! Tudo quinquilharia moderna. Eles estragam rápido. São uma porcaria! E o pior: não tem conserto. Os fabricantes já os produzem com esse objetivo. As pessoas trazem aqui. Eu olho, digo que não tem jeito e devolvo. Elas me dizem “fica pra ti ou pode botar fora”. Agora, é assim.
E é mesmo.
Enquanto isso, vários modelos em pleno funcionamento descansavam ali. Um Orient três estrelas fundo verde, um Seiko, um Casio G-Shock antigo... Nada de possíveis compradores. Porque as coisas que duram demais vão perdendo a graça.
Foi o que aconteceu com nossa conversa. Fomos nos entristecendo com as conclusões que chegávamos sobre o mundo de hoje. Até que nos despedimos com um desolador “até mais”.
No caminho, pensei que tenho que vasculhar a casa atrás de um relógio velho – nem que seja um de parede –, levar para o conserto e ter uma conversa um pouco mais esperançosa com meu amigo relojoeiro.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Vá e Veja
| Ou fragmento sobre a guerra cultural |
Eles só querem sua atenção. Se aliste. Ame-o. Ou. Mas saiba. Os estampidos são de armas de festim. Tampe os ouvidos. E veja. Vá e veja. As minas terrestres são só palavras. Pode pisar. O estouro faz cócegas. Uma guerra é uma guerra. Mesmo que sejam só meninos brincando. Eu tenho certeza que você pode ver. Se não pode. Veja melhor. São só meninos brincando. São só meninos.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
O Intolerável Todes
As relações de amizades andam estremecidas por causa da política. Com a popularização das redes sociais, as pessoas acabam sabendo, meio que na marra, o que os conhecidos pensam em relação ao assunto. A trinca que antes era quase sagrada, da política, futebol e religião, hoje está exposta e banalizada. Ninguém tem mais receio de falar e criticar a posição do outro. Virtualmente, os temas são debatidos e discutidos à exaustão.
E daí é liberdade de expressão pra cá, boicote pra lá. Amizades que findam, cancelamentos que surgem, silenciamentos e até linchamentos... A impressão é que as pessoas são o que são e ponto. Estão marcadas a serem de direita, de esquerda ou qualquer outro carimbo que exista por aí.
Trago o exemplo de um amigo conservador. Por ter essa posição, ele se identifica com Jair Bolsonaro. Luta diuturnamente, em muitas frentes e batalhas campais nas redes sociais, pela permanência do atual presidente por mais um mandato. Contudo, esse meu conhecido não é um fanático.
Explico. Ele se vacinou contra a Covid-19. Está indignado com os rumos da economia nacional, com a inflação e o preço das coisas (gasolina, gás, itens da cesta básica). Ele também não tolerou o acordo com o Centrão. E tampouco atura as estripulias dos filhos 01, 02, 03 e 04.
Só que tem um detalhe. Esse meu amigo conservador não suporta o tal de todes. Ele odeia com todas as suas forças essa coisa de pronome neutro, sem gênero. Protesta. Bate-boca. Ofende. Se o tal todes virar regra da Língua Portuguesa, ele, bem provável, pegará em armas.
Pouco importa para ele se a gasolina está custando mais de R$ 7 reais o litro, o gás R$ 120 o botijão e R$ 50 o quilo da carne. Esses fatos ainda não são dignos de fazê-lo mudar de ideia em relação ao presidente. O que ele não tolera mesmo é o tal de todes.
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Artigo publicado no jornal Diário de Canoas, no dia 8 de dezembro de 2021.
domingo, 21 de novembro de 2021
Trilogia Suja de Havana - Salve-se Quem Puder
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| Malecón, em Havana |
De novo o silêncio. Eu me concentrei no rum e na lagosta fervendo. Mas logo em seguida escutei a vizinha ao lado sapateando. Uma mulatinha linda, de uns vinte anos. Tem estilo. É puta, mas poderia ser modelo. É uma beleza. Ainda mora numa toca miserável que nem eu, mas é implacável: sem dinheiro nem olha pra gente. Às vezes, me cumprimenta, mas sem muita intimidade.
– Bom dia, vizinho.
– Bom dia, vizinha. Ficou até tarde na batalha, já é quase meio-dia.
– E quem lhe disse que eu só trabalho de noite? Você é um pouquinho intrometido.
– Olha, este seu perfume chega até aqui.
– Bom, pode sofrer. Continua sofrendo, papito.
– Abusada.
– Isso é uma canção. Até mais tarde, vou dormir um pouco.
– Quando vou poder chegar mais pertinho de você, mamita? Já estou até de miolo mole.
– Quando você for um papirriqui com graniquiqui. Mas enquanto estiver na pior, nem chegue perto. Sai pra lá, sai pra lá, que esse mal pega!
– Bom, titi, pode continuar me maltratando. Durma bem.
– Tchau, papito.
– Tchau, mamita.
Entrou, fechou a porta e eu voltei para o meu fogareiro. É assim. Se você tiver dinheiro, pode, se não, foda-se. É como nos naufrágios: salve-se quem puder.
Gosto dessa mulher. Ela chegou do campo há um ano, com as mãos calosas e as unhas dos pés manchadas de terra vermelha. Diz que veio de Palma Clara. Sabe-sa lá onde diabos fica isso!
É muito desconfiada. Acha que todos vão lhe fazer mal, mas uma vez me contou uma coisa: aos doze anos largou a escola na quinta série e foi colher café para ter seu próprio dinheiro porque o pai bebia e fumava tudo o que ganhava “e em casa éramos sete irmãos comendo farinha de milho e inhame. Não sei como saímos fortes e saudáveis”, disse. Aos dezesseis viu que o café é trabalho para gente grossa e morta de fome. Uma tarde tomou seu banho, vestiu uma roupa limpa e sem se despedir de ninguém foi para a estrada e chegou a Havana. Assim, sem ter a menor ideia do que poderia ser Havana. Ouvia dizer que em Havana, sim, era possível viver bem porque havia mais dinheiro, e lá se foi. Quando me contava tudo isso, via-se força em seus olhos: “Eu sou muito bonita, papito, acha que não sei? Podem enfiar o café e a fome no rabo! Chega. Não volto para Palma Clara nunca mais na vida… Deus que me perdoe… quando minha mãe morrer vou ter que voltar porque ela é uma santa”.
Chegou assim, com uma mão na frente e outra atrás. Nos primeiros dias morou com um caminhoneiro que a trouxe de carona. Mas o largou na semana seguinte: o cara queria uma escravinha para trepar quando bem entendesse e mantê-la trancada em casa trabalhando e sempre entendiada. Mandou o sujeito à merda. Foi morar com uma vizinha. Começou a fazer programas no Malecón e em menos de um ano a roceirinha é outra pessoa. Já até fala diferente e caminha com estilo. Qualquer hora dessas ela se muda para um apartamento decente e deixa este terraço de merda. Eu gosto de gente assim. Forte. Os frouxos sempre se lamentam e choram. Os fracos acham que tudo termina hoje.
Na verdade é justamente o contrário: é hoje que tudo começa.
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Trecho de Trilogia Suja de Havana, de Pedro Juan Gutierrez.
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
Fazendo Amigos
É incrível! Um homem improvisou uma barbearia dentro do mercado de hortifruti do Terminal Parobé.
Quem desviou o rosto por causa do ventinho chato do Guaíba, que trazia toda a fumaça do churrasquinho de gato nas pessoas que esperavam os ônibus na rua ao lado da estação, pode ver com clareza.
O barbeiro revezava com uma máquina e uma tesoura. Ágil. Borrifava água. O cliente com avental e tudo. Sentado em uma caixa de frutas de madeira.
Era quase noite.
As boates Adega's e Encontrus estavam abertas. Os leões-de-chacará na entrada com suas caras fechadas, esperavam a chegada dos primeiros solitários. Quando, do nada, surge um tipo.
- Ô, amigo! Desculpa incomodar. Mas é que vim de Montenegro. Dormi anteontem no albergue e hoje na rua..
- Cara, não tenho dinheiro - me adiantei.
- Nem 10 centavos?
- Nada mesmo.
- É que é pra cachaça. Não precisa ser muito.
Também do nada, cruza por nós um gaiato portando uma cachaça barrigudinha. Vestia uma jaqueta anos 90 de um time de futebol americano. O montenegrino me deixou sem se despedir. Seguiu o outro. Em poucos metros, os dois estavam lado a lado. Dividiam a garrafa de plástico e caminhavam pela avenida Julio de Castilhos. Provavelmente, se tornariam amigos. Afinal, ninguém faz amizade bebendo leite.
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Alugém Aí Pediu Um Manifesto? - Por Joe Sacco
Este volume reúne a maior parte das reportagens de menor extensão que fiz nos últimos anos para revistas, jornais e antologias. Sendo assim, me parece que ele exige algum tipo de saraivada introdutória para achacar todos aqueles que se opõem à legitimidade dos quadrinhos como forma eficiente de fazer jornalismo.
Mas antes de puxar o gatilho, quem sabe a gente escute a oposição? Afinal, as objeções podem ter algum mérito. Como responder, por exemplo, quando questionam se o desenho pode aspirar à verdade objetiva? Não é justamente da verdade objetiva que trata o jornalismo? Desenhos, por natureza, não são subjetivos?
A resposta à última pergunta é: sim. Sempre que se apresentar jornalismo na linguagem dos quadrinhos, haverá uma tensão entre as coisas que se podem verificar, como uma declaração gravada, e as coisas que não se prestam à verificação, tais como um desenho que diz representar um episódio em particular. O desenho é interpretação mesmo quando é subserviente a uma fotografia, e costuma -se entender que as fotografias capturam literalmente um momento do mundo real. No desenho, porém, não há nada de literal. O cartunista mistura os elementos a seu bel -prazer e posiciona-os na página de acordo com seus propósitos. Não existe aquela sorte do fotógrafo que capturou uma imagem no momento certo. O cartunista “captura” seu desenho no momento que quiser. É essa abertura ou licença que torna o cartunismo uma mídia inerentemente subjetiva.
Mas isso não põe por terra as pretensões dos cartunistas que aspiram ao jornalismo. Ainda valem as obrigações -padrão do jornalista — reportar de maneira precisa, ater-se às falas dos entrevistados, checar afirmações. O jornalista-quadrinista, porém, tem compromissos maiores. O repórter tradicional pode tranquilamente descrever um comboio da ONU como “um comboio da ONU” e seguir adiante com sua matéria. Um jornalista-quadrinista tem que desenhar o comboio, e nesse momento surgem várias questões. Como são os veículos do comboio? Como são os uniformes dos operativos da ONU? Como era a estrada? E o cenário de fundo?
Por sorte, não há manual de estilo que diga ao jornalista-quadrinista a que ponto deve chegar em termos de detalhamento. O cartunista desenha tendo em mente a verdade essencial, não a literal, o que permite ampla variedade de interpretações e ampla variedade de estilos de desenho. Um cartunista não desenhará um caminhão da ONU da mesma forma que outro cartunista, mesmo que os dois estejam trabalhando a partir da mesma referência.
Posso apresentar aqui as minhas regras particulares no que concerne à veracidade pictórica. Tento desenhar pessoas e objetos da forma mais precisa possível, sempre que possível. No meu entender, tudo que pode ser desenhado fidedignamente tem que ser desenhado fidedignamente — e com isso quero dizer que algo desenhado deve ser facilmente identificado como a coisa real que se intenciona representar. Há desenhos, porém — particularmente cenas que ocorreram no pretérito e que eu não vi com meus próprios olhos —, nos quais sou obrigado a utilizar minha imaginação, ou, ainda, minha imaginação apoiada em pesquisas. Com isso quero dizer que tudo que eu venha a desenhar deve ter sua base nas especificações de temporalidade, lugar e situação que busco reinventar. Na terminologia cinematográfica, o cartunista é cenógrafo, figurinista e diretor de elenco, e é provável que, para executar esses papéis com destreza, ele precise fazer pesquisas em livros, em arquivos e na internet. Quando dependo do testemunho ocular, faço perguntas pertinentemente visuais: Quantas pessoas havia lá? Onde ficava o arame farpado? As pessoas estavam de pé ou sentadas? Quero que meus leitores pelo menos orientem-se em um momento específico, mas meu objetivo maior é satisfazer uma testemunha ocular no sentido de que minha retratação desenhada represente a essência da experiência que essa testemunha teve.
Porém, como já explicitei, dificilmente será um trabalho imaculado. Afinal, o desenho reflete a visão do cartunista como indivíduo. Não creio, porém, que esse fato proíba que um relato desenhado entre no campo do jornalismo. Creio que é possível almejar precisão no âmbito de uma obra desenhada. Em outras palavras, os fatos (um caminhão que carregava prisioneiros vindo pela estrada) e a subjetividade (como essa cena é desenhada) podem conviver juntos — uma coisa não impede a outra. Eu, pelo menos, aceito as implicações do relato subjetivo e dou preferência a destacar essas implicações. Já que é difícil (embora não impossível) me apagar de uma história, não é algo que eu costume tentar. O resultado, em termos jornalísticos, é libertador. Como sou “personagem” da minha própria obra, me atribuo licença jornalística para mostrar minhas interações com aqueles que conheço. Descobre-se muito sobre esses indivíduos a partir da representação do intercâmbio pessoal, o que a maioria dos jornalistas convencionais, infelizmente, subtrai de suas matérias. (As histórias que os jornalistas contam entre pares, na mesa do jantar, que geralmente envolvem interações similares, costumam ser mais interessantes e reveladoras do que as que entram no texto.) Apesar da impressão que alguns tentam passar, o jornalista não é uma mosquinha na parede, invisível e muda. Em campo, na apuração, a presença do jornalista quase sempre é relevante. Os jovens rebeldes erguem e brandem as armas quando a equipe de televisão começa a filmar, ou começam a se policiar quando o repórter faz perguntas contundentes. Ao admitir que estou presente na cena, minha intenção é sinalizar ao leitor que o jornalismo é um processo no qual defeitos e marcas de costura ficam aparentes, como se realizado por um ser humano — e não ciência executada friamente por um robô atrás do acrílico.
O que nos leva à vaca sagrada do jornalismo norte -americano, a “objetividade”. Deixo claro que não tenho problemas com a palavra em si, se o significado for apenas abordar um fato sem ter pré-concepções. O problema é que não acredito que a maioria dos jornalistas consiga abordar um fato, seja qual for sua relevância, com “objetividade”. Eu, decerto, não consigo. A jornalista norte -americana que acaba de pôr os pés na pista do aeroporto afegão não se livra de imediato do ponto de vista norte -americano nem abdica de toda pré -concepção para gravar novas observações em tábula rasa. Será que ela, de uma hora para outra, vai deixar de ver os soldados norte-americanos que acompanha como compatriotas de respeito e boas intenções, que compartilham muitos de seus valores, e passará a percebê -los como instrumento de um estado-nação que opera segundo seus próprios interesses, o que na prática — em termos objetivos — eles são? Na melhor das hipóteses, ela tenta relatar suas ações e reações da forma mais sincera, nas quais quer que recaia sua simpatia. Como dizia o lendário jornalista norte -americano Edward R. Murrow: “Toda pessoa é prisioneira de sua experiência. Ninguém consegue eliminar seus preconceitos — mas tão somente reconhecê-los”.
Outra armadilha que se promove nas escolas de jornalismo dos Estados Unidos é a fidelidade servil ao “equilíbrio”. Mas se um lado diz uma coisa e o outro diz outra, será mesmo que a verdade se encontra “em algum ponto entre os dois”? O jornalista que diz “bom, deixei os dois lados fulos da vida, então acho que estou no caminho certo” provavelmente está se enganando e, o pior, engana também o leitor. O equilíbrio não devia acobertar a preguiça. Caso haja duas ou mais versões dos fatos, o jornalista precisa não só explorar e avaliar cada declaração, mas também ir a fundo no relato contestado independente de quem o relata. Por mais que o jornalismo seja “o que eles disseram que viram”, ele também é “o que eu vi”. O jornalista deve empenhar-se em descobrir o que acontece e relatar, e não tornar a verdade neutra só porque houve distribuição igualitária de espaço.
Fui eu que escolhi as histórias que desejo contar, e nesta seleção devem ficar claras quais são minhas afinidades. Tenho interesse sobretudo por aqueles que raramente são ouvidos, e não creio que caiba a mim equilibrar suas vozes com as apologias bem escovadas dos que detêm o poder. Os poderosos geralmente estão muito bem servidos pela mídia massiva ou pelos órgãos de propaganda ideológica. Os poderosos têm que ser citados, é claro, mas para que seus pronunciamentos possam ser avaliados diante da verdade, não para obscurecê-la. Se acredito que o poder faz as pessoas mostrarem o que têm de pior, já observei que aqueles que ficam na ponta da miséria também não são inocentes por completo, e é isso que me empenho em reportar. Creio que o jornalista britânico Robert Fisk seja quem melhor resume a equação: “Sempre digo que os repórteres devem ser neutra e imparcialmente a favor daqueles que sofrem”.
Em resumo, a grande benesse de uma mídia inerentemente interpretativa, como é o caso dos quadrinhos, é que ela não me deixou confinado ao jornalismo tradicional. Ao tornar difícil me ausentar de uma cena, ela não me permite fazer da imparcialidade uma virtude. Para o bem ou para o mal, a mídia dos quadrinhos é inflexível, o que me leva a fazer escolhas. A meu ver, isso faz parte de sua mensagem inerente.
Joe Sacco
Abril de 2011
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Texto de abertura do livro Reportagens (1ª edição no Brasil, em 2016), de Joe Sacco.


