domingo, 13 de setembro de 2015
Versinho Perdido
A casa toda escura. Só eu, tateando coisas e tentando ver com a luz da tela de um aparelho celular. Tropecei na gata preta - uma ruana que agora vive comigo. Acertei a quina da cama com o dedo mínimo do pé esquerdo. Gemi quase calado. Tentei, sem sucesso, não acordar minha esposa, que tinha compromisso importante na manhã seguinte. - Te aquieta! - ela disse. Enfim, quando consegui me recompor - prestes a tomar a caneta sobre o criado-mudo -, perdi o verso em algum canto da memória. Uma estrofe hermosa que me surgiu enquanto escovava os dentes numa noite que faltou luz...
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Virose à Venda na Amazon
Ainda espero novidades para este ano. Mas, enquanto isso, dou o toque que Virose (Bartlebee Livros, 2013) está à venda na Amazon.
O preço é justo, R$28 + frete.
Dá comprar neste link - http://www.amazon.com.br/Virose-Lucas-Barroso/dp/8564914220
terça-feira, 8 de setembro de 2015
Toda Aquela Inevitável Pressa De Te Dizer Nada, de Adalberto Souza - Uma Apresentação
Tive o prazer de fazer o texto de apresentação do mais recente livro do poeta Adalberto Souza, Toda Aquela Inevitável Pressa De Te Dizer Nada (Buqui, 2015). Ele é de Maceió, autor de "Contando Solidões”, “Fantasmas não andam de montanha russa” e do premiado “Das coisas que esquecemos pelo caminho”, Prêmio Lego (UFAL/2011).
Abaixo, o texto que montei após ler o livro em primeira mão.
O título, Toda Aquela Inevitável Pressa em Te Dizer Nada, já diz um pouco sobre a essência do mais recente livro de Adalberto Souza. É uma conversa urgente. Um bate-papo necessário entre amigos, que a correria dos dias, muitas vezes, acaba nos sonegando. Então, nada mais lógico que convidar outros escritores-amigos para participar dessa roda. Cada um contribuiu com um verso, que serve como apresentação de um novo capítulo das tantas histórias que Adalberto conta em cada um de seus poemas.
É um livro escancaradamente íntimo, como toda poesia boa deve ser. Um diálogo com o leitor, que certamente vai se enxergar nas diversas cenas e cenários que o autor constrói. Na solidão e no louvado desespero que ecoam pelas páginas. Na porção de amores não correspondidos. Nos porta-retratos – alguns sem fotografia, emoldurando o vazio. Nas oferendas que o mar não recebeu. Afinal, como ele mesmo diz, “qualquer semelhança com a fantasia será mera realidade”.
Adalberto Souza tem alguns diferenciais. Só ele junta Madonna e Cauby Peixoto e faz tudo parecer natural. Só ele dança valsa em pleno carnaval pernambucano sem parecer ridículo, porque ele percebe e cata o erudito de tudo que está em nossa volta. Inclusive, das coisas aparentemente pequenas, como um pedaço de Bombril na antena da televisão. Seria para melhorar a imagem do mundo? Ou para ver a fantasia melhor? Adalberto sabe que poesia é olhar. Poesia é desformatar o olhar. Simples assim. Se você chegar bem perto dos versos, aposto que vai escutar até o que ele não disse.
Entretanto, esse exercício está longe de ser algo fácil de colocar em prática. Adalberto caça palavras, busca a certa e faz música, crônicas, frases de para-choque de caminhão, obituários e, se nada der certo, ele vai até o setor de achados e perdidos da Rodoviária. Lá, entre trecos inúteis de uma utilidade urgente, alguém certamente deixou um belo verso pra trás. E poesia é isso: essa arqueologia do banal, do corriqueiro.
Poesia, meu amigo, é o que Adalberto sabe fazer.
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O livro tem 121 poemas. Separei dois.
25
Sua vida
é uma
obra
de
ficção.
Qualquer
semelhança
com
a
fantasia
será
mera
realidade.
78
Transitava
entre
gêneros
literários.
Dizia
ser
poeta,
mas
escrevia
somente
obituários.
sábado, 5 de setembro de 2015
O Vasto Mundo de Moacir Scliar e Uma Alegoria da Velhice
Sempre admirei a produtividade de Moacir Scliar. Um livro atrás do outro, um livro atrás do outro até o fim. Nunca o achei um fora de série. O motivo pode ser exatamente a sua virtude: com uma vasta produção é impossível acertar sempre. Contudo, Scliar tem algumas belas obras em sua bibliografia.
A Guerra do Bom Fim (1997, editora LPM) é um exemplo. Em certo trecho da narrativa, ele constrói uma bela alegoria do que imagino seja o significado - um deles - de envelhecer. Para falar sobre o tempo, o autor conta a breve história da égua conhecida como Maliciosa. Scliar encerra assim:
"No Bom Fim a égua envelhece e perde o deboche. Puxa com resignação a charrete de Samuel. Mas seus olhos não perderam o antigo brilho; e à noite sonha com centauros".
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Antônio Abujamra declama Jorge Luís Borges
O escritor vive. Ninguém é escritor das oito ao meio-dia e das duas às seis. Quem é poeta é poeta sempre, e se vê continuamente assaltado pela poesia. Assim como o pintor é assediado pelas cores e pelas formas, assim como o músico se sente procurado pelo estranho mundo dos sons, o escritor deve pensar que tudo é argila, com que fará da miserável circunstância de nossa vida alguma coisa que possa aspirar à eternidade.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Uma Utopia Para o Ensino Superior Público
Comecei numa creche municipal de praça e segui pelo primeiro e segundo graus em escolas públicas. Por que na hora de alcançar o ensino superior eu fui barrado? Volta e meia, quando leio, ouço ou vejo debates sobre Educação, penso nisso. Penso na minha trajetória. Os vestibulares das universidades públicas são um filtro absurdo, que só excluem seus próprios alunos.
Não fiz cursinhos pré-vestibulares. Simplesmente saí do Colégio José Cândido de Godói e tentei fazer uma prova, com muitos temas que não me foram apresentados. Não fui aprovado, como era de se esperar. Como não teria tempo, nem condições financeiras de insistir na universidade pública, encontrei a Unisinos. Um ótimo ambiente, onde conheci grandes professores e amigos. E há seis anos me formei em Jornalismo. O curso, para mim, durou sete anos e meio.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
(+18) O Adestrador de Cães - Conto Publicado na Revista Sexus
Já tá na rua a sétima edição da tradicional Revista Sexus. Tem muita gente boa participando. Contos, poemas, ensaio fotográficos... É da pesada. Se você tem mais de 18, indico. Participo com um conto, O Adestrador de Cães.
Separei um trecho.
Tentei alguns movimentos desastrados e ela disse que meu tempo acabou. Se seguisse, dali em diante seria cobrado um adicional. Eu tentei barganhar, tinha pouco dinheiro, poderia dar mais alguma coisa, mas precisaria ainda de uma grana para tomar um táxi e ir pra casa. Àquela altura, meus pais já deviam estar preocupados. Ela parecia estar pensando na proposta, quando o cafetão deu três murros na porta do quarto do motel. Avisou, com um certo atraso, que o tempo tinha encerrado. Queria saber o que seria dali em diante. Eu me vesti rápido e dei um grito tímido, dizendo que já estava de saída. A corrida de táxi pareceu ter demorado uma eternidade.
Para ler o resto, só clicar no link ao lado: Revista Sexus 7 edição
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